Os trabalhadores temporários ou pessoas que pararam de procurar emprego em dezembro voltaram a procurar em janeiro. Todo janeiro tem aumento na taxa de desocupação", disse Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, narrou para o Jornal Estadão.

Por que falta mão de obra? Essa pergunta todos os empresários fazem, de todos os setores, independente do tamanho das empresas. Para a analista de Recursos Humanos da Vânia Batista da Confederação Nacional do Comércio, “não é porque sobram vagas que o empregador contrata indiscriminadamente. A primeira grande dificuldade é encontrar um candidato que saiba escrever, ler e entender o que leu. Se você colocar 10 pessoas em uma sala, 4 pessoas não sabem o que estão lendo, não têm o discernimento de entender o que é o teste. É um fator de reprovação. Não tem como contratar.”
A escassez de mão de obra qualificada tornou-se um dos entraves mais relevantes para o desenvolvimento do país, tanto quanto a nossa baixa qualidade de infraestrutura. A falta de trabalhadores qualificados lidera hoje o ranking de preocupações das empresas brasileiras, deixando para trás até mesmo temas clássicos como a alta carga tributária, o custo de mão de obra e a concorrência de mercado.
Pesquisa recente divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que para 49% das grandes indústrias esta é hoje a principal dor de cabeça. Entre estabelecimentos de pequenos e de médio porte, o percentual é ainda maior: 56,5% e 57%, respectivamente.
Estudos internacionais indicam que o Brasil é atualmente um dos países do mundo onde é maior a dificuldade de se obter mão de obra. Apenas no Japão e na Índia a escassez é mais aguda, segundo a consultoria Manpower. O problema não se limita aos trabalhadores de nível superior, mais notadamente engenheiros. É cada vez mais raro também encontrar pessoal de nível médio bem treinado e qualificado à disposição no mercado.
Diante desse cenário, de falta de mão de obra qualificada, pode-se evidenciar a falta de investimentos por parte dos governos ao longo dos anos. Investimentos esses, que ainda são feitos na universalização do acesso e não na qualidade da educação, seja por falta de interesse ou até mesmo por falta de entendimento do cidadão comum, que ainda se contenta com o ensino ser gratuito e em muitas vezes não reclamar da qualidade.
Observa-se que a qualificação profissional vai do querer das pessoas, do interesse, da boa vontade, das perspectivas e expectativas de futura, quanto a sua melhora da qualidade de vida, potencial do mercado de trabalho, inovação e de um bom sistema de ensino que garanta sua qualificação profissional.
No entanto, o setor público e o privado podem em conjunto diminuir as dificuldades encontradas no mercado, o primeiro ao investir na oferta de cursos que atendam as necessidades das empresas e também dos trabalhadores quanto a sua vocação, o segundo na manutenção das ofertas de vagas de trabalho, na qualificação constante dos seus colaboradores, pois se o líder empresarial, desenvolve, inspira e contribui para que o funcionário possa crescer, ele dificilmente trocará de empresa.
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